Cresce o número de brasileiros acima dos 50 anos que recorrem a linhas de crédito e buscam empreender após a aposentadoria ou mudanças no mercado de trabalho
O perfil do empreendedor brasileiro está mudando. Dados do Sebrae, em parceria com a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), apontam que mais de 1 em cada 5 empreendedores em estágio inicial no país já tem mais de 50 anos. O movimento é constante nos últimos anos e representa não só uma guinada profissional, mas uma nova forma de garantir renda e autonomia em uma fase da vida marcada, muitas vezes, pela saída do mercado formal.
Muitos desses empreendedores decidiram abrir negócios após perderem o emprego ou se aposentarem. A maturidade, a experiência acumulada e a capacidade de gestão adquirida ao longo da vida profissional colocam os 50+ como um grupo cada vez mais preparado para enfrentar os desafios de um negócio próprio.

Crédito como porta de entrada para novos empreendimentos
Com menos acesso a investidores de risco e menos disposição para esperar anos até que um negócio comece a gerar lucro, os empreendedores mais velhos recorrem frequentemente ao crédito. Segundo levantamento do Serasa Experian, houve um aumento de 12,3% em 2024 na busca por crédito entre pessoas com mais de 50 anos com objetivo declarado de abrir ou ampliar um negócio.
Entre as principais modalidades procuradas estão o microcrédito, o crédito com garantia e, em alguns casos, financiamentos voltados a capital de giro. Em muitos estados, bancos públicos oferecem linhas específicas para pessoas com mais de 50 anos que desejam empreender, com juros reduzidos e carência para começar a pagar.
Setores mais procurados pelos novos empreendedores
As áreas que mais atraem o público 50+ são aquelas que não exigem grandes investimentos iniciais e que podem se beneficiar da experiência de vida e profissional do empreendedor. O setor de alimentação, por exemplo, concentra uma parcela significativa desses novos negócios, com destaque para a produção de alimentos artesanais, marmitas saudáveis e pequenos restaurantes.
Serviços de consultoria, cursos e treinamentos também são populares, especialmente entre quem atuava em cargos técnicos ou de liderança. Com a digitalização de processos e o crescimento do ensino remoto, muitos têm aproveitado para vender conhecimento online, de forma escalável e com baixo custo.
Outro nicho em alta é o de artesanato e produtos feitos à mão, que têm ganhado visibilidade por meio de marketplaces e redes sociais. A venda online tem sido uma aliada para os empreendedores maduros, que podem operar de casa e atingir públicos diversos sem precisar abrir lojas físicas.
Desafios enfrentados por quem empreende após os 50
Apesar das oportunidades, empreender nessa faixa etária ainda apresenta obstáculos. Um dos principais é o acesso à tecnologia. Embora grande parte dos 50+ esteja conectada, nem todos dominam as ferramentas digitais necessárias para administrar um negócio de forma eficiente, o que pode exigir capacitação.
O Sebrae e outras instituições oferecem cursos voltados a esse público, com foco em redes sociais, gestão financeira, marketing digital e uso de plataformas de e-commerce. Outro desafio é lidar com o risco do endividamento, principalmente quando o crédito é a única fonte de capital inicial.
Muitos negócios precisam de um período de maturação, e quando não há reservas financeiras, o empreendedor pode se ver pressionado por parcelas e prazos antes que a empresa se torne sustentável.
O papel da capacitação e da rede de apoio
A capacitação tem sido apontada como um diferencial importante para o sucesso dos empreendedores mais velhos. A experiência de vida ajuda na resiliência e no planejamento, mas a atualização constante em relação ao mercado e às ferramentas disponíveis é indispensável.
As redes de apoio também fazem diferença. Iniciativas como grupos de empreendedores locais, associações e comunidades online específicas para empreendedores 50+ ajudam a trocar experiências, dividir dificuldades e encontrar parcerias. A conexão com outros empreendedores também facilita o acesso a informações sobre crédito, fornecedores e boas práticas.
Expectativas para o futuro e novas fontes de crédito
O envelhecimento da população brasileira deve manter o ritmo de crescimento do empreendedorismo maduro. Segundo o IBGE, o número de brasileiros com mais de 50 anos ultrapassará os 30% da população até 2030. Isso cria uma demanda por políticas públicas, programas de incentivo e produtos financeiros desenhados para essa faixa etária.
Nesse cenário, novas fontes de crédito vêm ganhando destaque. A modalidade de antecipação de recebíveis tem sido utilizada por empreendedores que já faturam com seus negócios e desejam reinvestir. Ao antecipar valores a receber de vendas feitas a prazo, é possível gerar fluxo de caixa imediato e planejar novas ações, como reformas, ampliação da produção ou contratação de funcionários, sem recorrer a empréstimos com juros mais altos.
Com mais informação, acesso à capacitação e soluções financeiras que se ajustem às suas necessidades, os empreendedores com mais de 50 anos devem continuar contribuindo para o dinamismo da economia brasileira e mostrando que empreender não tem idade.
