Tratamento inovador para doença autoimune recebe aval da FDA

Sjögren é uma doença autoimune crônica, grave e progressiva, ainda sem cura

A Food and Drug Administration (FDA), agência de saúde dos Estados Unidos, concedeu a designação de “terapia inovadora” ao ianalumab para tratamento da Sjögren, segunda doença autoimune reumática mais prevalente no mundo.

As evidências clínicas do medicamento ianalumab mostram resultados que podem acelerar a aprovação regulatória, prevista para este ano. Se aprovado, o ianalumab se tornará o primeiro tratamento direcionado para pacientes com a doença.

Sjögren é uma doença autoimune crônica, grave e progressiva, ainda sem cura, que afeta múltiplos órgãos, causando sintomas como secura, fadiga, dor e aumento do risco de linfoma, impactando diretamente na qualidade de vida, conforme informações do Ministério da Saúde.

Dessa forma, o sistema imunológico ataca, por engano, as glândulas que produzem umidade, causando secura severa nos olhos e na boca. Pode afetar outras partes do corpo, como articulações, pele, rins, pulmões e nervos, além de causar fadiga e dor crônica.

Quando nariz, garganta e vias aéreas superiores são impactadas, consultar um médico otorrinolaringologista pode ser o caminho para o diagnóstico das manifestações glandulares e o manejo dos sintomas de secura do trato aerodigestivo superior. Para sintomas em outras áreas do corpo, médicos de outras especialidades podem auxiliar na identificação e no encaminhamento para o tratamento adequado. 

Tratamento inovador para doença autoimune recebe aval da FDA
Tratamento inovador para doença autoimune recebe aval da FDA

Condição é mais comum entre mulheres

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença de Sjögren é considerada a segunda condição reumática autoimune mais comum, afetando, aproximadamente, 0,25% da população. 

A estimativa é que 50% das pessoas que convivem com o problema não saibam do diagnóstico. A natureza heterogênea da doença dificulta a sua identificação.

Segundo a Sjögren’s Foudation, a condição afeta mais mulheres, sendo diagnosticada especialmente entre os 40 e 60 anos. Não existem tratamentos direcionados aprovados disponíveis.

Risco de doenças cardiovasculares

A doença de Sjögren também está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), conforme o Ministério da Saúde. Isso porque a inflamação crônica acelera o processo de aterosclerose, o acúmulo de placas de gordura nas artérias, mesmo em pessoas sem fatores de risco.

Estudos mostram que pacientes com doença de Sjögren podem ter mais gordura visceral e síndrome metabólica, condições associadas à inflamação crônica e à piora da função imunológica.

Entre outras manifestações cardíacas que podem ser provocadas pela doença estão hipertensão pulmonar, pericardite, problemas nas válvulas e, em casos raros, bloqueio cardíaco, exigindo vigilância cardiológica e controle rigoroso dos fatores de risco tradicionais. Por isso, a doença reforça a necessidade de que o paciente encontre um cardiologista para fazer o acompanhamento. 

A inflamação sistêmica pode contribuir, ainda, para a perda de massa óssea, levando à osteopenia e osteoporose, especialmente em pacientes com formas mais ativas da doença ou que utilizam glicocorticóides. A prevenção e o monitoramento da saúde óssea são fundamentais, com avaliação periódica da densidade mineral óssea, suplementação de cálcio e vitamina D quando necessário, e incentivo à atividade física.

Manifestações diversas

De acordo com a SBR, além da secura nas mucosas dos olhos e da boca, a doença provoca secura vaginal. Entre os sintomas estão manifestações glandulares, como inchaço ou dor nas glândulas salivares; manifestações articulares, com dor nas articulações com características inflamatórias; manifestações musculares, com dor difusa pelo corpo, fraqueza leve ou dificuldade para realizar atividades habituais; manifestações pulmonares, como falta de ar, tosse seca persistente, chiado no peito.

Além disso, a doença por provocar manifestações neurológicas, como formigamentos, queimação, dormência em mãos ou pés, perda de força, desequilíbrio e quedas, dor de cabeça, alterações de memória e concentração; manifestações cutâneas, pele seca, erupções, manchas arroxeadas ou dolorosas.

Sintomas como febre baixa sem causa aparente, perda de peso involuntária, suor noturno e sensação de mal-estar generalizado perda de potássio e sais, formação de cálculos renais ou redução progressiva da função renal, anemia e aumento de marcadores inflamatórios, mesmo na ausência de infecção,